quinta-feira, 9 de abril de 2020

2020 - Sul (s)em Contato

Memórias...

Em 2019 o projeto Sul em Contato comemorou dez anos de (r)existência. Concebido para fomentar a dança Contato Improvisação em Porto Alegre com oficinas, debates, jams, cineclubes e performances aproximou a comunidade de dançarinos da cidade com outros estados brasileiros e países da América do Sul. 

Em 2009 foi financiado pelo Fumproarte (Fundo de fomento às artes da Prefeitura de Porto Alegre) e realizado ao longo de 9 meses na Sala 209 no Centro Cultural Usina do Gasômetro, com mais de 300 horas de atividades. 

A partir de 2012 seguiu de forma autônoma no formato de festival com duração de 3 a 6 dias sendo realizado em espaços como a Casa de Cultura Mario Quintana e a Casa Cultural Tony Petzhold. Na edição de 10 anos celebramos no Centro Cultural da UFRGS (campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) engajando a comunidade universitária e o público em geral com contribuição espontânea dos participantes, sendo assim mais acessível à todas as classes sociais. 

Tivemos mais de 30 atividades entre oficinas, jams, vídeos, debates e performances. Foram apresentadas perspectivas históricas do CI nos trabalhos acadêmicos de Diego Pizarro (DF), Ana Alonso (SC), Fernanda Carvalho Leite (RS) e também o vídeo documentário de Flor Castilhos (Conexões Sustentáveis: Contato Consciência, de 2019) e o longa Five Ways In (UK - 2014), uma co-produção de Mike Poltorak (UK), Sonja Bruhlmann (Switzerland) e Alyssa Lynes (USA). 

Reunimos assim experiências locais, de estados vizinhos e de outras regiões, nacionais e internacionais. A dissertação de mestrado de Fernanda, idealizadora do festival, foi justamente sobre o "Sul em Contato - um Festival de Contato Improvisação em Porto Alegre, redes de movimentos e pensamentos (disponível em https://lume.ufrgs.br/handle/10183/204633). 


E agora? Como fazer em 2020 um encontro de dança onde o contato físico é um pressuposto técnico e poético numa época em que a proximidade física, o toque, o abraço são um risco de morte divido à pandemia do COVID-19? Não sabemos. Recriamos, ressignificamos a experiência em "contato-suspensão", do Sul (s)em Contato…


Sul em Contato 2019



Sul em Contato 2009 - Oficina 1/12




Sul em Contato 2015 



Sul em Contato 2016 - Ocupacidade






segunda-feira, 26 de agosto de 2019

SUL EM CONTATO
FESTIVAL DE CONTATO IMPROVISAÇÃO DE PORTO ALEGRE 
10 ANOS
#CInterconexõesPossíveis
DE 05 A 10 DE NOVEMBRO DE 2019 
CENTRO CULTURAL DA UFRGS 



PROGRAMAÇÃO

Sala Pitangueira                                                                                          Espaço Figueira | Atma


terça 05/11quarta 06/11quinta 07/11sexta 08/11sábado 09/11domingo 10/11
9hInscrições e Roda de AberturaDança Meditativa
LabCi - Corpo e Imagem
Escrito con el cuerpoGênero e Corpes Dissidentes

10hA Onda – Cadeias Musculares em Contato





11h






12h






13:30

Produção: Contatos  Improvisação
Entremeios: Dança, Teatro, Política e Rua (Parte 1)
O Jogo da Louca Sabedoria em Contato
Entremeios: Dança, Teatro, Política e Rua (Parte 2)

14hEstado de Escuta - Permanecendo em Prática 



Contato Improvisação e Capoeira 
15h






16h






17hCI e DesenhançaCI na Dança com BambolêsCineClube TraveCiaCONVERSA Sul em Contato 


18h





Encerramento
19hjamjamjamjam

20h






21h








Sala Laranjeira


terça 05/11quarta 06/11quinta 07/11sexta 08/11sábado 09/11domingo 10/11
9h

Diversos Corpos DançantesConteúdo e continente na dança em contato: Body-Mind Centeringem Contato-ImprovisaçãoConteúdo e continente na dança em contato: Body-Mind Centeringem CIEm direção ao vôo: estados de atenção a partir de um convite físico

10h






11h






12h






13:30

Expressão Corporal: da voz ao outro.
Consc. pelo Movimento - Feldenkrais
Contato em Caminhos (performance)
Dança e Improvisação: Contato entre “Peles” (crianças)

14hEstado de Fluxo no CI




15h




Brincadeiras em contato (crianças e adultos)

16h

CineClube TraveCia




17h
Palestra com Sandra Meyer





18hjamjamjamjam


19h




Festa

20h






21h







Terça 05/11

Sala Pitangueira
9h - Inscrições e Roda de Abertura
10h - A Onda – Cadeias Musculares em Contato. Pascal Berten (Maquiné-RS)
14h - Estado de Escuta - Permanecendo em Prática. Thaís Petzhold (Porto Alegre)
17h - Contato Improvisação e Desenhança. Guadalope Rausch (Porto Alegre)

Sala Laranjeira
14h - Estado de Fluxo no CI. Rodrigo Cardoso (São Paulo)
17h - Palestra Corpo e Cidade, com Sandra Meyer (PPGT-UDESC)
18h - Jam

Quarta 06/11

Sala Pitangueira
9h - Dança Meditativa (Priya - POA).
13:30 - Produção: Contatos & Improvisação. Mi Chan Tchung (São Paulo)
17h - Contato Improvisação na Dança com Bambolês. Camila Matzenauer (Santa Maria)

Sala Laranjeira
9h - Diversos Corpos Dançantes. (Canoas)
13:30 - Expressão Corporal: da voz ao outro. Raissa Martinez Sandoval (Porto Alegre)
16h - CineClube TraveCia
18h - Jam

Quinta 07/11

Sala Pitangueira 
9h - LabCi - Corpo e Imagem. Coletivo TraveCia (Rio de Janeiro)
13:30 - Entremeios: Dança, Teatro, Política e Rua (Parte 1). Arthur Haag (Porto Alegre) 
17h - CineClube TraveCia

Sala Laranjeira
9h - Conteúdo e continente na dança em contato: Body-Mind Centeringem Contato-Improvisação. Diego Pizarro (Brasília)
13:30 - Consciência pelo Movimento - Feldenkrais. Gabriela Guaragna (POA)
18h - Jam

Sexta 08/11

Sala Pitangueira
9h - Escrito con el cuerpo. Mariana Casare (Montevideu - Uruguai)
13:30 - O Jogo da Louca Sabedoria em Contato. William Fossati Rodriguez (Porto Alegre)
17h - Conversa Sul em Contato (Fernanda Carvalho Leite, Ana Alonso e Diego Pizarro)

Sala Laranjeira
9h - Conteúdo e continente na dança em contato: Body-Mind Centeringem Contato-Improvisação. Diego Pizarro (Brasília)
13:30 - Contato em Caminhos. Sarah Leão Lopes (Pelotas).
18h - Jam

Sábado 09/11

Espaço Figueira
9h - Gênero e Corpes Dissidentes. Cauê Dietrich, Ubi Vieira, Gaia Colzani, Talita Corrêa, Felipe Ferreira Ferro e Ana Alonso (SC)
13:30h - Entremeios: Dança, Teatro, Política e Rua (Parte 2) Arthur Haag (Porto Alegre) 

Sala Laranjeira
9h - Em direção ao vôo: estados de atenção a partir de um convite físico.  Roberta Fofonka e Janaína Ferrari (Porto Alegre). 
13:30h - Dança e Improvisação: Contato entre “Peles” - Oficina para crianças. Romíria (São João del Rei). 
15h - Brincadeiras em contato para crianças e adultos. Guadalupe Rausch e Juliana Sapper (Porto Alegre).

Domingo 10/11 (ATMA ou parque)

14h - Espaço Atma - Contato Improvisação e Capoeira. Janaína Moraes Franco (Aracajú) 



OFICINAS SUL EM CONTATO 2019


A Onda – Cadeias Musculares em Contato
Pascal Berten (Maquiné-RS)

A proposta do workshop é conhecer o método de Cadeias Musculares e Articulares GDS e relacioná-lo com a prática de Contato Improvisação. A partir da experiência do método, os corpos dos participantes serão preparados e estimulados para dançar. A onda está entre as figuras apreciadas pelo método de Cadeias Musculares, seja como Onda de Crescimento, seja como símbolo da infinitude do movimento, igual à lemniscata. São representações muitas vezes identificadas e utilizadas pelo Método, por isso o nome do workshop.

Cadeias Musculares e Articulares GDS é um método global de fisioterapia e de abordagem biomecânica e comportamental, que atua na prevenção, no tratamento e na manutenção da boa organização corporal. Criado e desenvolvido pela fisioterapeuta e osteopata belga Godelieve Denys Struyf, nas décadas de 60 e 70, o Método visa uma leitura precisa do gesto, da postura e das formas do corpo. 

Parte-se do conceito de que nossa atitude postural e a forma do nosso corpo deriva de uma multiplicidade de fatores, desde a genética até o psiquismo e o comportamento. Há seis famílias de músculos que dão ao corpo a possibilidade de se movimentar e expressar. A cada uma destas famílias corresponde uma tipologia psicocomportamental. Entretanto, elas podem, em consequência de uma constância de tensão, aprisionar o corpo em uma determinada tipologia, dificultando sua adaptabilidade mecânica e comportamental.

O workshop visa possibilitar a passagem de tensão entre as cadeias musculares para reencontrar a liberdade de movimento e expressão. Reestabelecer o equilíbrio entre as cadeias é visto como uma necessidade para encontrar o corpo do outro na dança, proporcionando um estado de atenção e escuta, ao mesmo tempo que dá condições físicas. Trata-se também de uma forma eficaz de prevenir lesões. 

Por sua vez, o Contato Improvisação constitui um enorme desafio para a prática de Cadeias Musculares e Articulares. A dança põe à prova tudo que o Método almeja: escuta, consciência, adaptabilidade, estrutura, gesto justo, ação e reação, alternância. Pode-se ainda identificar e relacionar as diferentes famílias de músculos e as tipologias associadas com funções especificas da dança contato.

Metodologia:

– introdução ao Método (apresentação de conceitos básicos)
– preparação do corpo dançante (conexão com o próprio corpo; sensibilização para os tecidos: osso, músculo, vísceras, pele; alongamento; respiração; fluxos de energia e tensão; estruturação das cadeias musculares e articulares)
– vivência de Cadeias e Contato Improvisação (famílias de músculos e tipologias associadas; dança a partir de estímulos/propósitos)
– improvisação e observação (dança livre)
– conversa

Pascal Berten é performer e produtor cultural. Iniciou sua prática teatral na Alemanha em 2002, integrou a Formação para Atores da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo em Porto Alegre (2009/2010) e a formação em dança contemporânea "Dance Intensive-Program" pela Tanzfabrik Berlim (2010/2011). Aulas de CI com Adalisa Menghini (Itália/Alemanha), participação de festivais de CI no Brasil e no Uruguai. Massagista formado pelo SENAC/RS (2015). Fez a formação de "Postura e Movimento" do método de Cadeias Musculares e Articulares GDS no Rio de Janeiro (2017 – 2019). Foi ator da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e participou de espetáculos premiados como “O Amargo Santo da Purificação“, “Medeia Vozes“ e "Caliban – A Tempestade de Augusto Boal". Como bailarino participou de produções do Grupo MEME de Porto Alegre. Como produtor cultural ele participou de formações e especializações e tem representado a Tribo de Atuadores em eventos e festivais internacionais. Trabalha como produtor no desenvolvimento e realização de projetos culturais.



Estado de Escuta - Permanecendo em Prática 
Thaís Petzhold (Porto Alegre)

Prática que utiliza princípios do Contato Improvisação para focar no Estado de Escuta como ponto de partida para o encontro consigo mesmo(a) e com a outro(a). Partindo do encontro como nos disponibilizamos para o fluxo do Entre, para a composição instantânea compartilhada e ao mesmo tempo sem autoria. Respiração, peso, alinhamentos internos, centro de gravidade bailante, interdependência, momento presente, entrega, consciência, responsabilidade e autorresponsabilidade: caminhos sensíveis da escuta em dança.

Thaís Petzhold é artista da Dança, Performer, Instrutora de Dança, Improvisação, Consciência e Expressão Corporal, Master Reiki Terapeuta, Mestranda em Artes Cênicas.



Estado de Fluxo no CI
Rodrigo Cardoso (São Paulo)

O que é fluir? Como experimentamos esse estado de fluxo ao dançarmos?
O que em minha movimentação facilita a continuidade dos meus movimentos?
O que na minha interação com outrém, facilita a continuidade dos nossos movimentos?
O que em minha consciência, facilita a abertura para experienciar o fluxo misterioso do devir?

É possível sair do tempo mental e adentrar o fluxo mágico do agora?
Como transformar o medo em potência de agir? Ansiedade em um “não-saber luminoso”? Preocupação em um “deixar-fluir”?
Podemos juntes, transmutar estranhamento em engajamento?

Pode o Contato Improvisação ser meditação em movimento… um caminho de autoconhecimento e despertar espiritual?

Iremos abordar a atenção plena, confiança, empatia, entrega, geometria sagrada e tensegridade para investigarmos o estado de fluxo na dança individual, em duos, trios e coletivamente.

Rodrigo Cardoso é faixa preta de Judô; Formado em 1993 pela Primeira Universidade de Yoga; Posteriormente em Iyengar Yoga; Em Aya - Yoga Livre e Budokon Yoga;
Aprendeu com com Zé Maria o método Klauss Vianna; Estudou Cadeias Musculares com Ivaldo Bertazzo; Cursou BMC com Tarina Quelho;
Integrou a Cia do Lobo (Wolf Maia) por 4 anos atuando em Musicais como “Blue Jeans” e “Splish Splash”;
Participou do Festival de Danças Folclóricas do Leste Europeu. Premiado e ovacionado como coreógrafo e solista representando o grupo Radost (folclore brasileiro) na Slovákia em julho/agosto de 1997;
Integrou a Trupe de Circo Tantos e Tortos.
Dança Contato Improvisação há mais de 10 anos e foi contemplado no estágio docente do NIC (Nucleo Improvisação em Contato) pela lei de fomento de 2017.
Criador do projeto Contato In Natura que organiza práticas e Jams em contato íntimo com a natureza (perto de São Paulo)


Contato Improvisação e Desenhança
Guadalupe Rausch (Porto Alegre)

Nesse encontro vamos pesquisar as possíveis intersecções entre a dança Contato Improvisação e o desenho. O movimento a partir do contato, o desenho como um rastro do movimento. 

Guadalupe Rausch é arte-educadora, performer, pesquisadora, produtora e idealizadora do Projeto Desenhança (Desenho/Dança). Graduada em Licenciatura em Artes Visuais pela UFRGS, atua na área da educação desde 2008. Tem formação no Grupo Experimental de Dança de Porto
Alegre e no Projeto Segni Mossi (Desenho/Dança – Itália). Dedica-se à pesquisa do Contato Improvisação e da performance desde 2011. Em 2019, como parceira do Projeto Pequenices ganhou o Prêmio Açorianos em Formação e Difusão em Dança (Porto Alegre). 




Dança Meditativa
Priya Mariana Konrad (Porto Alegre)

Uma experiência para ativar o estado meditativo na prática do contato improvisação.
Silenciar a mente, o espaço vazio dentro e fora do corpo e a partir desse vazio adentrar no espaço com presença plena.
Perceber as qualidades de dançar também em contemplar a dança no espaço por outros corpos.
Perceber o momento que se sente no corpo o impulso para ativar minha dança no espaço e com outros corpos.
A dança que inicia dentro e flui para fora.
A experiência vai ser conduzida por uma estrutura cíclica repetitiva por um determinado tempo entre meditar em silêncio e pausa e a possibilidade de dançar no espaço ou dançar na contemplação.

Diversos Corpos Dançantes
Daniel Fagundes (Canoas) 2h

A oficina oferece uma experimentação de improvisação em dança destinada a pessoas com e sem deficiências, com o objetivo de interação entre diferentes pessoas, seus corpos e experiências. Um momento de pesquisa corporal que se dá através da ampliação dos sentidos e da percepção das relações com o corpo do outro e o espaço. A prática se desenvolve sutilmente abordando o contato e a conscientização corporal, permitindo a exploração dos movimentos naturais do corpo de cada indivíduo. Essa vivência fomenta, potencializa e contextualiza a diferença entre corpos, experiências, habilidades e o lugar socialmente construído da d/eficiência. O projeto de extensão Diversos Corpos Dançantes para pessoas com e sem deficiência, criado em 2014 pela professora Carla Vendramin e hoje coordenado pelo professor Dr. Márcio Pizarro. Vem realizando oficinas gratuitas no Centro Cultural da UFRGS desde o início de 2019 com o professor Daniel Elizeu, alcançando alunos e servidores, trazendo a comunidade também ao espaço da universidade. 

Daniel Elizeu, bailarino do Diversos Corpos Dançantes desde 2014, formado em Educação Física com pesquisa na área da deficiência e acessibilidade em práticas corporais. Desenvolve oficinas de dança, com base na sua experiência como bailarino do DCD, desde 2017.



Conteúdo e continente na dança em contato: Body-Mind Centeringem Contato-Improvisação
Diego Pizarro (Brasília)

Neste workshop dançaremos a somatização da imersão relacional esqueleto-órgãos como apoio para o toque e o movimento. Com quais camadas dos ossos me apresento ao mundo e ao outro na dança de contato? Quais órgãos internos dão suporte expressivo às nossas danças? De que forma órgãos e ossos se relacionam para lidar com a gravidade? Estabilidade, mobilidade, suporte, continuidade, resiliência, volume, peso, leveza, pausa. Esses e outros princípios serão abordados de forma integrada, partindo da complexidade do sistema somático Body-Mind Centeringpara a simplicidade do encontro (consigo, com o mundo, com o outro) em danças. 

Body-Mind Centering é uma prática somática desenvolvida pela norte-americana Bonnie Bainbridge Cohen e colaboradores desde 1960. Ela envolve experiências profundas com o desenvolvimento infantil (Corporalização do Desenvolvimento do Movimento), os sistemas corporais (Anatomia Corporalizada) e a Embriologia Corporalizada, bem como as inter-relações psicofísicas de todos esses aspectos. É um território poético de cura e descobertas sobre si e o mundo que realiza uma cartografia dos tecidos corporais e repadronização por meio de toque, movimento, som e voz. Sua didática lida basicamente com três aspectos fundamentais: visualização, somatização e corporalização. (Trecho de apresentação do BMC retirado da tese de doutorado em processo de Diego Pizarro).

Diego Pizarro é dançarino, coreógrafo, pesquisador, educador somático certificado em Teacher of Body-Mind Centering e Cadeias Musculares e Articulares Método GDS®. Docente do curso de Licenciatura em Dança do Instituto Federal de Brasília – IFB. Começou a dançar Contato-Improvisação em 2001, entre aproximações e afastamentos a esta forma de dança. Cursou Graduação em Dança na Escola Superior de Artes de Amsterdam. Integrou a Basirah – Cia. De Dança Contemporânea em Brasília-DF e atuou em diversas obras de dança, teatro e performance no Brasil e no exterior de 1999 a 2017. Mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília, Doutorando em Artes Cênicas na Universidade Federal da Bahia, realizou estágio de pesquisa na University of North Carolina at Greensboro, sob orientação da Drª Jill Green, como bolsista da Capes/PDSE. Coordena o Grupo de Pesquisa e Extensão CEDA-SI – Coletivo de Estudos em Dança, Educação Somática e Improvisação desde 2012. Foi um dos principais idealizadores do I Encontro Internacional de Práticas Somáticas e Dança (Brasília, 2018). Editou os livros Mitopoiesis: dança, educação somática e Biologia Celular (2017), Ensino-Pesquisa em Extensão: processos de composição em dança na formação do docente artista (2017) e Práticas Somáticas em Dança: Body-Mind Centering em criação, pesquisa e performance (2019). Atualmente pesquisa as trajetórias da dança Contato-Improvisação no Brasil; e o desenvolvimento de procedimentos criativos integrando BMC e GDS® (Anatomia Poética) em processos performativos de criação em dança.

Foto - Thiago Sabino

Em direção ao vôo: estados de atenção a partir de um convite físico 
Roberta Fofonka e Janaína Ferrari (Porto Alegre)

Neste workshop, trabalharemos ferramentas de atenção acurada para a conquista de vôos na dança. A partir de exercícios somáticos e técnicos de contato improvisação que interferem no tônus, na construção de estrutura e na compreensão dos vetores do corpo, os participantes poderão praticar e investigar vôos como agentes-base e como agentes-voantes. Juntamos estes dois aspectos (atenção+vôos) porque entendemos a importância ancoradora dos estudos da atenção dentro do campo do CI, como uma habilidade extra para bailarinos e praticantes que queiram atingir maior qualidade de improvisação, presença, e de revelação do corpo para si mesmo através da dança.

Janaína Ferrari pesquisadora do movimento desde 2008, graduada em dança, dedica-se ao contato improvisação e estudos da performance. Atua como professora, bailarina, produtora e pesquisadora em dança. Com o contato improvisação já participou de diversos festivais no Brasil e América Latina. Integrante do coletivo Sapedo de Arte Menor de Porto Alegre, que realiza intervenções urbanas desde 2016. É idealizadora e intérprete criadora do Coletivo Grupelho, que estreou o espetáculo TIGER BALM // Experimento Cênico em 2019.

Roberta Fofonka é jornalista pela PUCRS e bailarina por formação independente. Desenvolve pesquisa cênica de dança contemporânea junto ao coletivo Grupelho, influenciada principalmente por estudos da performance, contato improvisação, Kinomichi e Técnica Alexander. Já participou de diversos festivais de contato improvisação no Brasil e América Latina, é professora e co-organizadoras dos festivais internacionais Encuentro de Contact Improvisación en el Valle Sagrado Inca, Peru, e TransOceanic Contact Improvisation Festival (TOCIF), Dinamarca. Foi integrante do Grupo Experimental de Dança da Cidade de Porto Alegre (2015) e é uma das bailarinas-diretoras do espetáculo Tiger Balm //Experimento Cênico (2019).

Expressão Corporal: da voz ao outro. (1h:30)
Raissa Martinez Sandoval (Porto Alegre)

Estarmos juntos, consigo, com o outro e com todos os seres que estarão conosco praticando, abrindo espaços, incorporando e fluindo através e por meio do movimento. Gostaria de propor um espaço expansivo utilizando a experiência de receptividade as potências humanas dos canais de expressão corporal que cercam os corpos, com a intenção de libertar as energias estagnadas. Serão utilizadas técnicas que integram o trabalho com a voz, movimento, respiração e meditação buscando um estado de presença. Faremos uma jornada que passará por uma percepção de si, dentro de uma abordagem somática e partindo daí para o espaço e pesquisa entre imagens, voz e movimento; somando-se a uma condução de liberação emocional e (re)conexão com a força do centro da terra; contato olho no olho e pesquisa de movimento; finalizaremos com uma prática de CI em dupla a partir da energia dos animais buscando uma incorporação e integração a partir da voz e do movimento. 

Raissa Martinez estuda a expressão corporal como forma de cura e um caminho para conectar com outros estados de consciência-corpo. Fez parte do Grupo Experimental de Dança, formou-se no módulo I de Teatro e Dança Contemporânea na Teatraria³, é reikiana, atualmente é graduanda em Dança na UFRGS, pratica acrobacia de solo com Walkiria Grehs, integra o projeto de extensão DESC (Dança, educação somática e criação), participa de um grupo de rituais para a lua e tem interesse pelas linguagens do butoh, da capoeira, do xamanismo, do contato e improvisação e de terapias corporais.




Contato Improvisação na Dança com Bambolês
Camila Matzenauer dos Santos (Santa Maria)

A conexão entre Dança com Bambolês e CI pode multiplicar mutuamente o potencial criativo, poético e estético dessas duas práticas corporais. Portanto, ao perpassar por alguns fundamentos e exercícios básicos do Sistema Laban/Bartenieff, a oficina busca conduzir uma investigação corporal com o bambolê baseada em princípios do CI. Assim, a proposta não é trabalhar a Dança com Bambolês através de movimentos codificados, mas levar os participantes a estabelecer um diálogo com esse outro objeto/corpo. Ao explorar a relação de peso, forma, densidade, equilíbrios, desequílibrios, entre outros, (re)descobre-se o corpo ao fazer com que ele se torne bambolê, na mesma medida em que o bambolê pode passar a ganhar corpo.

Camila Matzenauer é bailarina e performer. Tem formação em Dança Bacharelado (UFSM) e é mestra em Artes Visuais (UFSM). Bambolista co-fundadora na Umbigo de Bruxa, gosta de dançar o tempo e o feminino em espiral e acredita no movimento como um caminho para a cura e o autoconhecimento.

Foto: Dartanhan Baldez Figueiredo


  


Entremeios: Dança, Teatro, Política e Rua (Parte 1 e 2)
Arthur Haag (Porto Alegre)

Através do dançar na fronteira-litoral entre as linguagens criar tensionamentos e vislumbrar possibilidades de ser-estar-agir perante si e aos outros. Com intuito de se pesquisar as diferentes possibilidades e expressividades para o corpo disponível e sensível às questões urgentes interiores e exteriores serão abordados exercícios, atividades e interferências do teatro físico, da musicalidade corporal, de corpos espect-atores, notícias recentes, poesia, memória pessoal. Ainda, se pretende construir uma cena com caráter experimental como fio condutor do processo criativo no exercício da dança e suas reverberações no ambiente urbano.

Arthur Haag é arteiro e curioso. Acredita no encontro como canal de transformação e busca na linguagem artística o caminho do entre, das brechas, das lacunas, das dobras e das bordas. Tem formação pela Escola para Formação de Atuadores da Terreira da Tribo (2014-2016), pela Oficina de Teatro de Rua, Arte e Política da Terreira da Tribo (2016) e pelo Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre (2018). Desde 2016 trabalha como pesquisador da docência tendo atuado como arte-educador de Teatro na EEEF Lídia Moschetti e também como bolsista de extensão de Música para Bebês na Creche da UFRGS. Atualmente cursa Ciências Sociais na UFRGS.

Consciência pelo Movimento - Método de Educação Somática Feldenkrais. 
Gabriela Guaragna (POA)

Buscando os pontos intersecção entre a escuta interna de movimento e a escuta com/do  outro, proponho uma aula em que se investigue o encontro: auto-encontros em/de movimentos, em que o indivíduo investigue sua própria integração em cada ação; e o encontro desse ser íntegro com o grupo. Com a intensão de aproximar a prática do Método de Educação Somática Feldenkrais com a prática de Contato Improvisação, pesquisaremos tanto como movimentos de Consciência pelo Movimento influenciam a improvisação e a relação com o grupo, como pesquisaremos como a prática de Contato Improvisação influencia a autoimagem do indivíduo, sua percepção de si mesmo e sua auto-organização. 

Gabriela Guaragna é artista, Feldenkrais Practioner formada pela International Feldenkrais Federation (IFF) e Licenciada em Dança (UFRGS). Brincante nata e eterna, pesquisa o estado do brincar como norteador da vida. 




Escrito con el cuerpo
Mariana Casares (Montevideu - Uruguai)

Actividad que reúne el CI con la escritura creativa. 
Utilizaremos de las habilidades del contact y la relación con los otros para facilitar la apertura a la actividad de la escritura creativa. 
Hay algo en el desconcierto que genera bailar contact mezclado con la comunicación no verbal con los otros y la forma en que habitamos nuestro cuerpo al bailar que trae al presente recuerdos, mundos sutiles, vivencias de la infancia, y otros mundos que quedaron guardados en el cuerpo.
Por otra parte el trabajo con la percecpión propio del CI genera una amplificación del lenguaje a la hora de describir desde los sentidos cualquier escena o imagen.
Es así que finalizando el taller cada quien se llevará un relato propio y varios de escrita colectiva luego de bailar.

Mariana Casares. Bailo CI, enseño Ci, vivo Ci. La primera vez fue con Andrea Fernàndez, era 1997. 
Desde ahí hasta ahora he habitado el ci de diferentes maneras, con muchos maestros (Martin Keogh, Lisa Nelson, Nancy Stark Smith, Alito Alessi, Ray Chung, Ricardo Neves, entre otros), he habilitado los jams en Montevideo, organizado los Festivales junto a Ruth, Catalina y Florencia, di clases, talleres y he organizado retiros en la naturaleza. Actualmente investigo el cruce entre el contact y la música, y el cruce entre el contact y la escritura desde hace más de diez años con este taller que bauticé de "Escrito con el cuerpo" y ha integrado al CI a personas que nunca hubieran bailado, tanto como que han escrito cuentos quienes creían no poder escribir ni cartas de amor.
Soy feliz bailando y escribiendo. Viendo bailar y escuchando cuentos.



Contato em Caminhos
Sarah Leão Lopes (Pelotas)

A proposta contempla duas atividades, que tomam de partida a exploração de um pequeno trecho urbano. Observando as brechas, rupturas e marcas, tudo que o ambiente oferece como lugar marcado pela experiência cotidiana dos habitantes que vivem a cidade. Tendo como premissa o contato improvisação, a ideia compreende que a dinâmica viva da cidade se da através da dinâmica viva dos seres que a habitam, portanto, ao reconhecermos lugares que possibilitam interação, lugares que nos afetaram, iremos, primeiramente, nos relacionar corporalmente a partir da dimensionalidade daquele lugar. Pode ser um meio-fio, pode ser uma janela, pode ser um buraco na parede, o que importa é encontrar meios inter-relacionar-se com o espaço "limite", em contato com uma ou mais pessoas. A segunda parte do ato se dá por uma caminhada em contato, visando o retorno ao centro onde o evento é sediado. A caminhada de retorno também pressupõe relação com os tecidos urbanos, buscando deixar reverberar no corpo as influências exercidas pelas forças externas que se apresentam através de grafites, pixos, carros, sons, lojas, e todo o hiperconjunto de informações que percorrem as ruas.

Sarasvatii Leão é bailarina, perfomer e pesquisadora. Graduada em Antropologia Social pela UFPel, formada em Tantra Yoga pelo instituto Ananda Marga de Porto Alegre, e atualmente graduanda do curso de Licenciatura em Dança pela UFPel. Idealizadora e performer da instalação Performática Matriz, (1 hora) apresentada primeiramente no aniversário de dois anos da OCA (Ocupação Coletiva de Arteirxs) e posteriormente no evento ruído.gesto ação&performance/2016, em Rio Grande. Idealizadora do Laboratório de Performance. Proposta construída para o projeto de ensino Educação Libertária. 2017 Integrante e bolstista do projeto de extensão Caminhos da dança na rua(2015 – atual). Integrante do Tatá – Núcleo de Dança – Teatro. (2017 – 2018) Aonde atua como bailarina interprete do espetáculo Quando você me toca (35 min). 


Produção: Contatos & Improvisação
Mi Chan Tchung (São Paulo)

Transformar sonhos em ideias, ideias em projetos, projetos em realidade. Esse sempre foi meu tesão como produtora. A produção envolve 3 etapas fundamentais: planejamento, execução e apresentação. Em todas essas fases estamos sempre sujeites a imprevistos das mais variadas ordens e desafios nas relações com as pessoas envolvidas. Aí entra o Contato Improvisação! Este é um convite a experienciar uma produção coletiva do princípio ao fim: bem-vindes à Caça ao Tesouro Dançante: 2 grupos, 1 salão, alguns elementos, 3 pistas, 1 missão!

Mi Chan Tchung é praticante e difusora do Contato Improvisação desde 2005, Mi é especialmente influenciada pela comunidade contateira argentina. Transversalmente à dedicação ao CI, trabalha como produtora artística com particular aptidão ao processo criativo. Recentemente produziu o filme de longa metragem Vergel (Festival de Gramado, Festival do Rio, BAFICI e outros). É formada em Comunicação das Artes do Corpo e atualmente cursa Pedagogia, investigando a alfabetização através do corpo.

O Jogo da Louca Sabedoria em Contato
William Fossati Rodriguez (Porto Alegre)

Mahalila, segundo a antiga cultura Védica, é o Jogo Divino do Universo na perene Criação sobre si próprio. No Silêncio o Mistério sopra a Vida sobre a forma humana, do barro do Vazio nasceu o Eu, mas o que há além do que percebemos, sentimos e experienciamos? O que há no fundo do mar do movimento, da pele, dos ossos, dos sangue, do pensamento, das emoções? O que há por de trás de meu nome, de minha face, de minhas memórias?  Aqui mora o genoroso convite à prática da Presença, nossa própria Natureza de Lua Cheia repousando sobre às aguas turvas de nossa Dança Interna e Transpessoal. Entre o céu e a terra? o Espaço. Quando fora é dentro e dentro é intimamente fora, eu e o outro somos; no coração do nosso encontro o céu e a terra namoram nus no Espaço sutil que acolhe todas as experiências; em fluxo, em jogo. Aqui surgem ressurgem insurgem simbolos, significados, sentidos e multiversos que em suas realidades distintas inventam intersubjetivamente os mundos aos quais vivemos corpo. Aqui a Consciência experiencia a sí própria através de um gracioso jogo de espelhos.
Duração: 3hrs

Will. O Mistério vulgarmente batizado de William Fossati Rodriguez, eterna manifestação na efemeridade deste instante inseparavél do absoluto em que nada surgiu ou cessa. Me desfaço-disfarço de estudante, mas a princípio sou um monge mendicante muito antigo e um maestro louco navegando entre o mundo visível e invisível. Curto Jogo. Mais recentemente d’ei um período sabático p’ra viver uma travessia psiconaútica/trip ao subsolo da alma/processo de cura e mindfucker desescolarização-descolonização através de las Plantas Maestras, dos ensinamentos do Dharma e de uns rolês que eu dei por algumas residências de Dança e alguns amores lunares afogados na maré, pesquisando “estruturas fluídas para a criação de sistemas orgânicos” e o tempo além do tempo e a origem da existência humana. Ou apenas jogar, apenas brincar. No mais, sigo investigando a Vida como Arte Pura e pesquisando-aprofundando a fé na prática de uma aprendizagem autodirigida, empírica e transmutadora. Além de estudante, também me disfarço de ator, palhaço, bailarino, filho e neto;  no mais, sou pós-doutorado em nada, apenas ser, só é. E, claro, sendo guiado por Yuxibu e o Sopro da Mamãe Jiboia na Experiência Direta de Deus: Criador-Criatura-Criação. Niño Santo Maestro Louco traz la medicina de mis abuelos.

Palavras-Chaves: Palhaçaria Sagrada, a Integração dos Paradoxos e os Estados não-ordinários de Consciência.


Oficina de brincadeiras em contato para crianças e adultos
Guadalupe Rausch e Juliana Sapper (Porto Alegre)
Público alvo: adultos e crianças a partir de 4 anos.
Duração da oficina: 1h45
Dia: sábado a tarde

Nesta oficina crianças e adultos irão experimentar brincadeiras que envolvem contato improvisação numa atmosfera de escuta corporal e criação coletiva. Com Guadalupe Rausch e Juliana Sapper, duas professoras de crianças e pesquisadores do contato improvisação.

Guadalupe Rausch é arte-educadora. Idealizadora do Projeto Desenhança (Desenho/Dança). Graduada em Licenciatura em Artes Visuais pela UFRGS. Atua na área da educação desde 2008. Tem formação no Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre e no Projeto Segni Mossi (Desenho/Dança – Itália). Dedica-se à pesquisa do contato improvisação e da performance desde 2011. Em 2019, como parceira do Projeto Pequenices ganhou o Prêmio Açorianos em Formação e Difusão em Dança (Porto Alegre).

Juliana Sapper é professora de música e musicista, licenciada em Música pelo IPA e graduada em Pedagoga pela PUCRS. Em 2006, iniciou sua trajetória com a Educação Infantil e, em 2009, optou por aliar esta vocação à sua grande paixão, a música, dando início a sua carreira de Educadora Musical. Desde então, tem trabalhado em diversos contextos tais como Musicalização para bebês e crianças, Projetos Sociais, Oficinas para professores e ensino regular da ed. Infantil ao Ensino Fundamental.


Gênero e Corpes Dissidentes
Cauê Dietrich, Ubi Vieira, Gaia Colzani,Talita Corrêa, Felipe Ferreira Ferro e Ana Alonso (Santa Catarina)

O objetivo da proposta é a de contribuir com a despadronização do gênero através do CI, trazendo consciência da masculinidade, da feminilidade e da não binaridade de gênero de cada participante por meio da percepção das potências das corpes em dança. Das corpes dissidentes.

Para tal iremos organizar encontros separados entre pessoas que se identificam como homens, pessoas que se identificam como mulheres, sejam cis ou trans, assim como, de pessoas que não se identificam exclusivamente nem como homens ou/e nem como mulheres: as não binárias. Não havendo o número mínimo de 3 as pessoas não binárias serão convidadas a integrar o círculo de homens ou o círculo de mulheres.

Se identificar como homem ou como mulher é um processo que transcende a heterosexualidade reprodutiva embora esta seja a norma a partir da qual as dissidências ganham sentido. Lésbicas, gais, bissexuais, nomeiam diferentes identidades sexuais dissidentes da norma heterosexual, embora tais formas de identificação só fazem sentido a partir da distinção entre os gêneros masculino e feminino a qual obedece a norma heterosexual reprodutiva. A identidade de gênero também é dissidente da cisgeneridade, ou seja, da identificação entre o gênero e a funcionalidade reprodutiva do corpo. A transgeneridade é um processo de autoconhecimento em que a identidade de gênero se impõe ao gênero identificado, muitas vezes, antes de nascer. À cisheteronormatividade, ou seja, à padronização sexual (gênero, sexualidade) do corpo, soma-se toda uma série de controles que criam imagens corporais estereotipadas sobre o que é ser mulher e também do que é ser homem. Assim, mulheres negras denunciam o silenciamento do racismo no interior do feminismo e homens com deficiência colocam em cheque prescrições da masculinidade como a independência e a virilidade. No universo da dança em particular a gordofobia se manifesta sobretudo na identificação do corpo obeso com a incapacidade física. A gordofobia está presente também na identidade de gênero afetando sobretudo as mulheres as quais têm as oportunidades de emprego relacionadas diretamente com a convergência a um padrão de beleza assente no ideal do corpo magro.

Todas estas dissidências são incorporadas e precisam ser acolhidas na dança. A importância da proposta reside pois na possibilidade de se perceber acolhido, acolhida ou acolhide na vulnerabilidade de gênero que constitui cada pessoa fazendo frente às opressões que afetam negativamente as corpes dissidentes.

Programa da oficina:
<-> chegada nos espaços de encontro para dança (homens, mulheres, não bináries): apresentação da proposta às participantes em círculo; quem facilita irá solicitar às pessoa que projetem em um objeto (dentro de uma caixa, por exemplo) uma opressão de gênero que a aflige, após a dinâmica cada pessoa irá se aquecer individualmente refletindo sobre a opressão identificada. 45 minutos 
<-> dinâmica: em trios uma pessoa de olhos fechados conduz na dança outras duas que estão de olhos abertos, após 20 minutos as pessoas de olhos abertos massageiam a pessoa de olhos fechados por 15 minutos;
<-> encerramento: massageando os pés e pernas de cada pessoa em círculo abre-se o tempo para compartilhar as experiências vivenciadas. 30 minutos (15 minutos cada pé e perna)

trata-se de uma equipe vinculada ao Espaço Transformando, Rio Vermelho, Florianópolis - SC:

*Cauê Dietrich* 
É psicólogo formado pela UFSC em 2008, fez especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial na FIOCRUZ/ENSP. Desde 2010 vem praticando Contato Improvisação e Capoeira Angola concomitantemente. Trabalhou de 2012 a 2017 na Prefeitura Municipal de Florianópolis, coordenando oficinas terapêuticas e grupos psicoterapêuticos com trabalhos corporais, para usuários do sistema de saúde no Centro de Atenção Psicossocial II (CAPS II - Ponta do Coral). No momento cursa Licenciatura em Música e Pós-Graduação em Psicodrama.
Desde de 2018 vem propondo práticas semanais de Contato Improvisação em Florianópolis. Com interesse profundo pela micropolítica que acontece nos diversos tipos de diálogos, tem direcionado suas investigações nas intersecções entre corpo-movimento, corpo-palavra, corpo-som, corpo-imagem na construção de encontros que possam ser práticas de cuidado e práticas de resistência.

Contato: caue.fd@gmail.com

*Gaia Colzani* 
É formada em Licenciatura em Teatro (2019) e mestranda no PPGT - UDESC. É professora, militante, gorda ativista, performer, atriz, diretora, produtora cultural e pesquisadora. Atualmente é diretora do trabalho artístico SOB Medida (2017), que é o início de uma pesquisa sobre gordofobia. Desde 2017 investiga estratégias a fim de tornar os espaços mais acolhedores para todes es corpes que a sociedade exclui, mas principalmente com foco no corpe gorde, que tem sua acessibilidade negada constantemente. A fim de permanecer investigando essas questões, hoje se faz visitante nos mundos dançantes para questionar os padrões de dança.

Contato: gaiaclzi@hotmail.com

*Talita Corrêa* 
É dançarina e professora-artista graduada e mestranda na UDESC. Faz teatro desde 2005, inicialmente em Porto Alegre, no Depósito de Teatro e a partir de 2013, no ambiente universitário, em Florianópolis, onde percebeu surgir seu interesse pela dança contemporânea e onde conheceu o Contato Improvisação. Sua pesquisa em teatro sempre esteve localizada na rua. Em 2014 viajou por Brasil e Argentina em uma Kombicasa apresentanndo em escolas e praças, teatro e cinema, conformando a dupla As Cercanas de Patarriba e desenvolvendo o projeto CineKombi, em mais de 30 cidades. Nos últimos anos, muito influenciada pelas necessidades de sobrevivência em tempos de desgovernos, pesquisa a dissidência corporal, no intuito de dialogar e aprender na diferença, para somar lutas.

Contato: contateando@gmail.com

*Felipe Ferreira Ferro* 
É dançarino, ator e músico. Integrou o grupo goiano Teatro que Roda com pesquisa em teatro de invasão e teatro de rua (2010 - 2016). Entre 2014 e 2017 desenvolveu pesquisa de dança na rua em diálogo com a comicidade através do projeto Galãn Delon. Fez parte do Fuá de Pareia (2017), grupo musical criado em Florianópolis dedicado a estudar a cultura de tradição popular brasileira. Interessado em estudos sobre pedagogias radicais para a criação de dança em espaços públicos, tem apetite por filosofia do acontecimento com foco em processos de compartilhamento do Contato Improvisação. Graduando do curso de licenciatura em Teatro pela UDESC.

Contato: felipferro@gmail.com

*Ana Alonso*
É dançarina, professora, produtora e pesquisadora, com ênfase na dança contemporânea e improvisação. Desde 2004 promovo eventos e participo como bailarina e professora em Jams, festivais e outros eventos de Contato Improvisação, Improvisação e Composição no Brasil e América Latina. A partir de 2009 me dedico ao Contato Improvisação (CI), coordeno o projeto Entrando em Contato e o Festival Transformando pela Prática (2009 – 2018). Fiz coorenação do projeto Permeável Corpo Artístico (2018) e direção artística no projeto Andanças Poéticas na Cidade (2019). Formada em DanceAbility (2011), curso que produzi. Desde fev. de 2011 integro o PlanoB coletivo de experimentações em movimento e do Coletivo Desterra desde 2019. Ultimamente tenho pesquisado relações entre água e dança. Vivo em Florianópolis, onde pratico CI com parceiros de dança; coordeno o Espaço Transformando e sou doutoranda com pesquisa em Dança no PPGT - UDESC.

Contato: analonsok@gmail.com

*Ubi Vieira*
É profe de sociologia na UFFS, campus Chapecó onde realiza atividades de ensino de sociologia com jogos teatrais. Dança contato improvisação desde agosto de 2018. Realizou cursos de formação em jogos teatrais como aluno ouvinte na UFOP (2012) e na UDESC (2018). Realizou oficinas de formação em bufonaria com Joaquim Elias em Belo Horizonte (2018) e com Márcia Freire em Florianópolis (2018). Realizou aulas de iniciação à percussão com Isaias Alvez e pratica pandeiro desde 2017. Praticou capoeira angola na Fundação Internacional de Capoeira Angola, núcleo Belo Horizonte, entre 1998 e 2002 e no grupo Ginga Erê no segundo semestre de 2018 

LabCi - Corpo e Imagem 
Coletivo TraveCia (Rio de Janeiro)

O LabCi - Corpo e Imagem é um espaço de pesquisa e experimentação audiovisual com foco nas narrativas do corpo. A vivência do LabCi se pauta no despertar dos corpos como instrumentos de expressão artística e política através do Contato Improvisação, fomentando um corpo coletivo colaborativo que acolhe a experiência do indivíduo para contaminar o seu entorno com resiliência e movimento. A partir desse lugar comum construído, vamos pensar a ótica da câmera-corpo, o registro performativo e o seu ritmo na edição, e materializar nossos afetos na co-realização de videodanças e videoperformances. O grupo irá trabalhar a consciência corporal compartilhada como estratégia para produzir uma imagem que rompa com a dependência do olhar para existir. O LabCi é uma proposta para exercitar novos focos de atenção e experimentação da imagem sensível, pensando estrutura e composição do corpo no audiovisual, e novos diálogos para a tela.

Material necessário: Câmera digital compacta e roupa confortável sem estampa (nem escritos).

TraveCia é um coletivo de mulheres artistas criando em Contato e Improvisação. Somos Flor Castilhos, Kamyla Matias e Mar Mendes.

Flor Castilhos é bailarina-pesquisadora de Contato Improvisação, integrante do coletivo Travecia e do núcleo MovaCI. Facilitadora de aulas de dança, yoga e jogos corporais para crianças e adultos. Formada pelo método Ivaldo Bertazzo (2019). Dirigiu o documentário Conexões Sustentáveis: Contato Consciência (2019), e produziu o 1° Conexões e Contato SP-RJ (2019).

Kamyla Matias é performer, videodancer, artista, bailarina-pesquisadora de Contato Improvisação e integrante do coletivo Travecia. Mestranda do PPGCine UFF (2018), investiga o diálogo entre o corpo e a imagem fílmica. Dirigiu e editou o filme ComSonâncias (2018), e o quarto episódio da série Ensaio no Quinto Andar (2018). Atualmente está desenvolvendo os filmes A Casa Dança e Observatório de Baleias.

Mar Mendes é produtora cultural, artista e bailarina-pesquisadora de Contato Improvisação, integrante do coletivo Travecia e do núcleo MovaCI.  Desde 2013 se dedica ao Contato Improvisação, estudando com diversos professores de todo o mundo, em festivais e residências no Brasil e na Argentina. Produziu eventos como o CiKi (2017-18), Ressonâncias da Dança (2018), JArdiM das DeliCIas (2018) e Global Underscore (2018-19).



O CineClube TraveCia 
É um convite para a experienciar o corpo no cinema, e o cinema no corpo.
Vamos exibir o curta Conexões Sustentáveis - Contato Consciência, que aborda o CI como forma de autoconhecimento e conta com entrevistas com Paulo Kantiano, Sofia Giliberti,  Guto Macedo e outras caras do Contato Rio. Vamos exibir também os vídeos produzidos no LabCI - Corpo e Imagem, e depois vamos estrear em Porto Alegre o longa Five Ways In (UK - 2014), uma co-produção de Mike Poltorak (UK), Sonja Bruhlmann (Switzerland) e Alyssa Lynes (USA).

FIVE WAYS IN ◆ [73 min]
O Contato Improvisação foi desenvolvido pela primeira vez nos Estados Unidos na década de 1970 como uma experiência de movimento que desafiava os bailarinos a reagirem instintivamente a colisões corporais. Quatro décadas depois, esta forma de dança continua a ser investigada abertamente por pessoas de todo o mundo. Este filme segue as aspirações de cinco bailarinos enquanto navegam pelas alegrias e desafios de estar com trezentos participantes no maior festival de Contato Improvisação do mundo na antiga cidade universitária alemã, Freiburg. Jashana, uma ativista política americana e Raquel, uma voluntária brasileira no festival, buscam a vantagem política e o potencial de construção de comunidades do CI. O jardineiro biodinâmico sueco, Johan e o professor viajante israelense, Lior, compartilham esperanças de danças belas e desafiadoras, e novas maneiras de ensinar CI. Camille, da França, descobriu recentemente o CI. Ele busca o coração do Contato Improvisação para sair da sua zona de conforto de salsa e esportes, na busca da sensibilidade e do compartilhamento de peso. Durante uma semana em que fazer parte de uma comunidade temporária e a intimidade e a fisicalidade do CI podem desafiar até dançarinos experientes, o Festival de Freiburg fornecerá a inspiração e as idéias que eles procuram?

https://www.researchingcontactimprovisation.com
Co-diretores: Mike Poltorak (UK), Sonja Bruhlmann (Switzerland), Alyssa Lynes (USA)
Câmera e Edição: Mike Poltorak
Design de som: Maiken Hansen
Legenda PT: Mariangela Andrade
Produção de exibição no Brasil: Kamyla Matias



Dança e Improvisação: Contato entre "Peles"
Romíria  (São João del-Rei)
Oficina para público infantil e adulto

A oficina propõe uma percepção corporal de forma lúdica a partir de jogos, elementos da dança e da improvisação ao explorar a comunicação não verbal. Tendo o Contato Improvisação como alicerce, a oficina possui foco na relação, na reciprocidade e no afeto como forma de perceber a si, ao outro e ao ambiente. O intuito é ampliar a sensibilidade dos participantes para ‘experienciar’ a dança improvisada, utilizando jogos e brincadeiras como rolamento, apoio, peso e tônus muscular para explorar as potencialidades sensíveis do movimento. A sensibilidade é uma forma de conhecimento do mundo a partir do corpo e pode ser considerada como ação estética e política por sua capacidade mobilizadora. Dessa forma, corpos brincantes em dança transformam o tempo/espaço em jogo ao rodopiar no fluxo do movimento, permitindo a percepção das diversas dimensões do conhecimento que se entrelaçam num Todo.

Romíria é artista, arte-educadora e pesquisadora das Artes da Cena. Atua como facilitadora em festivais culturais oferecendo oficinas com temáticas referentes à corporeidade, sensibilidade e ao lúdico na educação, bem como arte-educadora efetiva em escola pública. Integra o Coletivo Café com Birutas, o Grupo de Estudos em Contato Improvisação (GECI), a Associação Cultural Eu Sou Angoleiro (ACESA/SJDR). É mestra em Arte, Urbanidade e Sustentabilidade (PIPAUS/UFSJ) e possui bacharelado e licenciatura em Teatro pela UFSJ.

Foto: Luciana Oliver



Contato Improvisação e Capoeira
Janaína Moraes Franco (Aracajú)

O Contato Improvisação (C.I) e a Capoeira Angola são diferentes práticas, originadas de diferentes contextos histórico-social. Entretanto, desde as primeiras décadas do C.I. (anos 70/80), temos informações de praticantes que investigam a relação entre elas.
Na capoeira, estamos diante de uma prática ancestral que permeia os campos da luta, brincadeira, musicalidade, sobrevivência e resistência. A capoeira conta histórias para além de sua movimentação, os golpes de defesa e ataque, são carregados de aleutria¹ (improvisação), mandiga e malícia e contam a história de resistência do povo africano. Diante de tal bagagem, a capoeira não se resumi a movimentos e canções, entretanto é um jogo complexo de sabedoria e mandiga.
O Contato Improvisação, desenvolvido na década de 1970, por um grupo de dançarinos e pesquisadores do movimento, liderados por Steve Paxton nos Estados Unidos, investigavam, entre outras coisas, as forças naturais da fisicalidade que agiam sobre os corpos em movimento. A partir da pesquisa desenvolveram esta forma de dança que, ainda recente, continua a se desenvolver.
Na atual proposta, compartilhamos a pesquisa da intersecção entre as duas práticas como enriquecedoras para a improvisação e a performance. A partir dos pontos convergentes e divergentes, é possível ampliar as possibilidades do jogo na improvisação.
Investigaremos as movimentações nos três planos, baixo, médio e alto, respectivamente utilizando os rolamentos simples do C.I., movimentos de mãos, pés e cabeça no chão, da capoeira e ambos no nível alto, que compõe um jogo que pode unir os centros gravitacionais ou não. A capoeira adiciona uma perspicácia do movimento, quando se percebe o que poderia ser um golpe, mas não é.
Para finalizar a investigação, utilizaremos o jogo de improvisação chamado Round Robin, para criar um ambiente ritualístico, em um espaço esférico, tal qual é feito na roda de capoeira. Além disso, no desenvolvimento desta proposta, a composição das duas práticas, permitem que os participantes ampliem seus níveis de atenção². Primeiramente passando pela sensação da sua “skinesfera” (da pele para dentro), para o “intercruzamento de kinesferas” e as “conexões de toques”³ e por fim, o nível de atenção para o espaço, através da delimitação do espaço esférico para a improvisação. 
Acreditamos que o diálogo entre estas duas práticas pode ser complementares, proporcionando aos participantes uma experiência de ampliação de vocabulários de improvisação e percepção do jogo.

Janaína Moraes Franco
Graduada em Teatro, pela UFRGS, estuda Contato Improvisação e Capoeira Angola desde 2010.
Participou de encontros de C.I. no Brasil, Argentina, Uruguai e Itália, fez aulas com referências como Otto Akkane, Steva Bird (UC), Ray Chung (EUA), Andrew de Lotbinière Harwood (Canadá), Paula Zacharias  e  Autarco (Argentina), Ricardo Neves (SP), Hugo Leonardo (BA), Guto Macedo (RJ), entre outros.
Desde 2017 estuda na Formação Contato, com a professora Marília Carneiro, em Campinas, SP.
Iniciou a Capoeira Angola com o Mocambo, em Porto Alegre. Atualmente faz parte do grupo Nzinga, das Mestras Janja, Paulinha e mestre Poloca.

Conversa Sul em Contato
Com Fernanda Carvalho Leite, Ana Alonso e Diego Pizarro

Apresentação da trajetória do Sul em Contato - 10 anos, tema do mestrado de Fernanda. Participação de Ana que participou da primeira e de outras edições e é uma importante reverberada do festival. Diego é professor e pesquisador sobre CI, somática e trajetórias do CI no Brasil.